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Edição 2
Dezembro/2004

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Ciência engajada
Supercomputadores, realidade virtual, telemedicina e games. Os surpreendentes resultados de um laboratório que nasceu para caminhar de braços dados com a sociedade.

Por Andréa Wolffenbüttel, de São Paulo

Eduardo Simões
Caverna Digital: viagem virtual pelo Rio de Janeiro e simulação de situações de risco para treinamento e avaliação
O pesquisador australiano Jeffrey Shaw fundou e dirigiu por anos o Institute for Visual Media do Center for Art and Media de Karlsruhe (ZKM) na Alemanha, um dos mais modernos centros de arte e mídia do mundo. Apesar da vitoriosa carreira no comando do ZKM, Shaw acabou se consagrando como artista, e foi nessa condição que se interessou pelo trabalho de um grupo de cientistas brasileiros. Ele acredita que as melhores ferramentas para sua próxima instalação artística podem ser criadas numa sala localizada dentro do campus da Universidade de São Paulo (USP), mais especificamente no Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI), da Escola Politécnica.

O laboratório não é muito conhecido no Brasil. "Nós temos de acabar com esse preconceito de que o Brasil não tem vocação para a ciência", diz o professor Marcelo Zuffo, diretor do LSI. "Hoje em dia temos de decidir apenas quando vamos produzir tecnologia, porque a capacidade nós já temos." O professor Zuffo fala do alto da experiência acumulada como gerente de um dos mais bem-sucedidos projetos de seu laboratório, o supercomputador.

Uma idéia pouco convencional garantiu o sucesso do projeto, logo no início da década de 1990: em vez de tentar construir circuitos integrados complexos e caros, os pesquisadores decidiram montar um supercomputador juntando diversos computadores normais, uma modalidade conhecida como cluster. Seria algo como colocar cem motores de caminhão para carregar uma só carroçaria e carga. O resultado foi um computador que atinge altíssima velocidade de processamento a um custo muito baixo. Foi o triunfo da criatividade dos brasileiros. Para se ter uma idéia da importância desta supermáquina basta lembrar que os Estados Unidos não apenas guardam a sete chaves a fórmula de desenvolvimento de supercomputadores, o que era de se esperar, como também, desde setembro de 2001, condenam as pesquisas nessa área devido às suas possibilidades de aplicação no setor militar. "Quando mando um aluno viajar levando equipamentos desse projeto fico sempre temeroso, porque sei que mais dia, menos dia algum deles será retido para interrogatório nos aeroportos norte-americanos", diz Zuffo.

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