Exportação
Parceria entre diplomacia e iniciativa privada
O trabalho conjunto já trouxe vitórias no setor externo. Mas ainda há problemas a resolver.
Por Maria Helena Tachinardi, de São Paulo
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| Colheita de algodão: este ano o Brasil deverá exportar três vezes mais do que em 2003, cerca de 450 mil toneladas |
Acostumado a saborear vitórias no esporte, onde a organização, a disciplina, o treino e a perseverança são fundamentais para bons resultados, o Brasil colheu recentemente dois frutos de um trabalho organizado e paciente de aposta contra a política de subsídios agrícolas dos EUA e da União Européia (UE). Ganhou dois casos na Organização Mundial do Comércio (OMC) - o do algodão e o do açúcar -, graças também ao investimento e pesquisa do setor privado para assessorar os negociadores brasileiros.
O agronegócio mostrou-se maduro ao investir milhões de dólares na contratação de advogados e economistas americanos para defender seus interesses relativos às exportações de algodão e açúcar. Nunca o Brasil esteve envolvido em tantas negociações internacionais ao mesmo tempo. Pela primeira vez, também, o setor privado expressou-se de forma estruturada para subsidiar as negociações do governo. "Negociar é ter capacidade de formular. O Brasil era bom na formulação de grandes linhas, mas nos detalhes a resposta dos setores produtivos era modesta. Houve um progresso importante", diz o embaixador Clodoaldo Hugueney Filho, subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Itamaraty.
O resultado positivo, até agora, dos dois painéis da OMC, rompe com a imagem de uma agricultura dependente dos subsídios do Estado, pouco competitiva e tímida nas negociações externas. Os produtores de cana, que na década de 1980 receberam polpudos incentivos para fazer o Proálcool, e que pertenciam a um setor regulamentado pelo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), hoje, regra geral, jogam dentro das leis de mercado e contribuem para a liderança das exportações brasileiras em seu setor.
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