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Livros e publicações
Monopólio do saber?
Paulo Roberto de Almeida
O longo título já revela o conteúdo desse livro, que resulta de uma
tese doutoral na UNB.O autor acredita, como muitos outros colegas, que
a produção de conhecimento, tanto científico quanto prático (isto é, tecnológico),
tende a concentrar-se cada vez mais num pequeno grupo de países. Isso
é verdade, como também o que já se chamou de "grande divergência", ou
seja, a distância cada vez maior de renda per capita entre os países mais
avançados e os mais pobres (China e Índia não obstante). Isso não invalida o fato,porém,de que a maior parte do estoque de conhecimento
científico acumulado pela humanidade esteja livremente disponível a quem
tiver acesso às redes eletrônicas de dados.Nesse sentido, o mundo nunca
foi tão "igualitário" como agora,mas a tendência concentradora é um fato,
ainda que isso possa não ser uma perversidade dos "produtores de ciência",
e sim o resultado da incapacidade dos mais pobres de acompanhar o ritmo
de pesquisa e desenvolvimento para fins produtivos.Dotado de metodologias
testadas, o autor mapeia esse distanciamento na produção de ciência e
tecnologia nos mais diversos países, dedica um capítulo aos países emergentes,
em especial ao Brasil, identifica as razões das desigualdades e faz recomendações
na linha do que já propôs o Interacademy Council para reforçar a ciência
e tecnologia em todos os países. Certa visão conspiratória transparece de sua adesão às teses de Ha-joon
Chang, diretor-assistente da Faculdade de Economia da Universidade de
Cambridge da Inglaterra, (Chutando a Escada), que acha que os países desenvolvidos
querem impedir os menos avançados de alcançá-los e por isso recomendam
receitas neoliberais que eles mesmos não seguiram em seu processo de industrialização.Os
fundamentos metodológicos e empíricos desse tipo de raciocínio já foram
contestados, o que não impede sua boa recepção nos meios acadêmicos opostos
às correntes econômicas dominantes. As teses desenvolvimentistas já receberam muitas ressalvas, mas suas
bases continuam intactas, como revelado no movimento antiglobalizador.O
autor não diz, exatamente, que "outro mundo científico é possível", mas
ele talvez gostasse que isso ocorresse segundo as vias tradicionais do
investimento estatal e da coordenação das agências públicas com o capital
privado.Talvez falte um pouco de confiança na capacidade de a própria
sociedade se organizar para produzir o saber científico,mas isso começa
pela impulsão da educação de base,não necessariamente pelo pródigo apoio
à superestrutura algo elitista da comunidade científica. Em todo caso,
vale a pena conferir os dados do problema.
A Tendência Concentradora da Produção de Conhecimento no Mundo Contemporâneo
Fernando Antonio Ferreira de Barros
Editora Paralelo 15 - Abipti, 2005
307 p., R$ 35,00

