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Edição 19
Maio/2005

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O maior do mundo
Alan MacDiarmid
As pesquisas feitas no Brasil, na década de 70, possibilitaram o surgimento, recentemente, dos carros flex-fuel, que utilizam tanto gasolina como álcool

Por Andréa Wolffenbüttel, de Brasília

Ricardo B. Labastier

Aos 78 anos, o cientista neo-zelândes ganhador do prêmio Nobel de química faz um alerta: o Brasil é líder mundial em tecnologia de biocombustíveis, mas parece não se dar conta.Porém faz questão de avisar que o posto não está garantido.A demanda por energia empurra outros países a buscarem soluções para substituir o petróleo e, caso o Brasil não continue investindo em sua pesquisa,dentro de dois ou três anos pode perder posição.Em visita a Brasília,quando participou da 3ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, ele conversou com autoridades brasileiras e se propôs a intermediar pessoalmente parcerias entre o Brasil e outras economias emergentes para a criação de um grande mercado mundial de biocombustível.

Desafios - O senhor é neo-zelandês, trabalha nos Estados Unidos e na China, mas tem falado muito a respeito do Brasil em suas apresentações. Por que esse interesse?
MacDiarmid - Por que o Brasil não sabe o quão importante ele é para o mundo. O Brasil foi e ainda é o líder mundial em biocombustíveis, que é um setor estratégico para todo o planeta e especialmente para os países emergentes, tais como Indonésia, Malásia, China, enfim, a região que eu chamo de Australásia. A crescente demanda por energia está pressionando os países. A tendência é a utilização de todos os recursos fósseis disponíveis, tais como petróleo, carvão e gás, mas eles vão se esgotar,além de provocar sérios problemas ao meio ambiente.O Brasil tem uma resposta e uma solução para o problema.

 
Palavra de ordem: cooperação
Pouco tempo após ser laureado com o prêmio Nobel de química, em 2000, o cientista Alan MacDiarmid confessou a seu irmão que se considerava um felizardo por ter nascido em uma família pobre. Por ter sido obrigado a trabalhar desde a infância. Por ter descoberto seu amor pela ciência lendo velhos livros encontrados em casa ou retirados na biblioteca pública de uma cidade satélite de Wellington, capital da Nova Zelândia. Essa origem havia feito dele um homem que sabia o valor do dinheiro, mas sabia, acima de tudo, que nada poderia ser alcançado sem o apoio e a ajuda de outros. Foi assim que ele conseguiu descobrir as propriedades condutivas dos polímeros e inventar o chamado "metal sintético",um material que reúne a flexibilidade do plástico com a condutividade do metal. Nos anos 70, quando ainda estava no início de suas pesquisas, ele conheceu, durante um congresso em Tóquio, Hideki Shirakawa, cientista japonês que também estudava materiais orgânicos com os mesmos objetivos. Imediatamente Mac- Diarmid convidou-o para trabalharem juntos e a união do conhecimento de ambos, mais um outro colega, proporcionou à equipe a conquista do mais importante prêmio científico do mundo.Talvez por isso cooperação seja a palavra de ordem de MacDiarmid.Atualmente voltado também para a área de bioenergia, o químico neo-zelandês, de 78 anos de idade, ainda demonstra um entusiasmo quase infantil quando fala das novas possibilidades científicas e de seus trabalhos nos prestigiados centros de pesquisa da Universidade do Texas e da Universidade da Pensilvânia, ambas nos Estados Unidos. Isso sem mencionar os cinco institutos que levam seu nome, na Nova Zelândia, na China, na Índia, na Coréia e o mais recente, aqui no Brasil, na unidade de São Carlos (SP) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Mantém um volume de produção absurdamente alto para sua idade e, quando perguntado se nunca se cansa, ele responde que a vida tem lhe mostrado que, quanto mais trabalha, mais sorte tem.
 

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