O maior do mundo
Alan MacDiarmid
As pesquisas feitas no Brasil, na década de 70, possibilitaram o surgimento, recentemente, dos carros flex-fuel, que utilizam tanto gasolina como álcool
Por Andréa Wolffenbüttel, de Brasília

Aos 78 anos, o cientista neo-zelândes ganhador do prêmio Nobel de química
faz um alerta: o Brasil é líder mundial em tecnologia de biocombustíveis,
mas parece não se dar conta.Porém faz questão de avisar que o posto não
está garantido.A demanda por energia empurra outros países a buscarem
soluções para substituir o petróleo e, caso o Brasil não continue investindo
em sua pesquisa,dentro de dois ou três anos pode perder posição.Em visita
a Brasília,quando participou da 3ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia
e Inovação, ele conversou com autoridades brasileiras e se propôs a intermediar
pessoalmente parcerias entre o Brasil e outras economias emergentes para
a criação de um grande mercado mundial de biocombustível.
Desafios - O senhor é neo-zelandês,
trabalha nos Estados Unidos e na China, mas tem falado muito a respeito
do Brasil em suas apresentações. Por que esse interesse?
MacDiarmid - Por que o Brasil não sabe o quão importante
ele é para o mundo. O Brasil foi e ainda é o líder mundial em biocombustíveis,
que é um setor estratégico para todo o planeta e especialmente para os
países emergentes, tais como Indonésia, Malásia, China, enfim, a região
que eu chamo de Australásia. A crescente demanda por energia está pressionando
os países. A tendência é a utilização de todos os recursos fósseis disponíveis,
tais como petróleo, carvão e gás, mas eles vão se esgotar,além de provocar
sérios problemas ao meio ambiente.O Brasil tem uma resposta e uma solução
para o problema.
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| Palavra de ordem: cooperação |
| Pouco tempo após ser laureado com o prêmio Nobel de química,
em 2000, o cientista Alan MacDiarmid confessou a seu irmão que
se considerava um felizardo por ter nascido em uma família pobre.
Por ter sido obrigado a trabalhar desde a infância. Por ter
descoberto seu amor pela ciência lendo velhos livros encontrados
em casa ou retirados na biblioteca pública de uma cidade satélite
de Wellington, capital da Nova Zelândia. Essa origem havia feito
dele um homem que sabia o valor do dinheiro, mas sabia, acima
de tudo, que nada poderia ser alcançado sem o apoio e a ajuda
de outros. Foi assim que ele conseguiu descobrir as propriedades
condutivas dos polímeros e inventar o chamado "metal sintético",um
material que reúne a flexibilidade do plástico com a condutividade
do metal. Nos anos 70, quando ainda estava no início de suas
pesquisas, ele conheceu, durante um congresso em Tóquio, Hideki
Shirakawa, cientista japonês que também estudava materiais orgânicos
com os mesmos objetivos. Imediatamente Mac- Diarmid convidou-o
para trabalharem juntos e a união do conhecimento de ambos,
mais um outro colega, proporcionou à equipe a conquista do mais
importante prêmio científico do mundo.Talvez por isso cooperação
seja a palavra de ordem de MacDiarmid.Atualmente voltado também
para a área de bioenergia, o químico neo-zelandês, de 78 anos
de idade, ainda demonstra um entusiasmo quase infantil quando
fala das novas possibilidades científicas e de seus trabalhos
nos prestigiados centros de pesquisa da Universidade do Texas
e da Universidade da Pensilvânia, ambas nos Estados Unidos.
Isso sem mencionar os cinco institutos que levam seu nome, na
Nova Zelândia, na China, na Índia, na Coréia e o mais recente,
aqui no Brasil, na unidade de São Carlos (SP) da Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Mantém um volume de produção
absurdamente alto para sua idade e, quando perguntado se nunca
se cansa, ele responde que a vida tem lhe mostrado que, quanto
mais trabalha, mais sorte tem. |
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