Ucranianos
judeus, os Lispector, pai, mãe e três filhas, chegaram, finalmente, à
América, em 1922, na ensolarada Maceió, depois de perambularem, por quase
três anos, pelo Leste Europeu. Uma das três filhas, Clarice, a caçula,
desembarcou no colo da mãe. A irmã mais velha, Elisa, tinha 11 anos e
chegou profundamente marcada pelos pogroms presenciados na aldeia natal
ucraniana. Os Lispector teriam se salvado graças aos "erros" do pai, que
nunca estava onde deveria estar, e à astúcia da mãe. Elisa, que se tornaria
escritora, como a irmã Clarice, teve toda a obra influenciada pela infância.
Sobretudo em No Exílio, publicado pela primeira vez em 1948, e que ganha,
agora, nova edição.
Os massacres dos judeus na Rússia czarista e nos primeiros
anos do comunismo são relatados, muitas vezes, até de forma rude e fria.
É a obra mais autobiográfica de Elisa. Ela descreve os pogroms, a fuga
da Ucrânia, subornando sanguinários soldados e funcionários, a chegada
a Maceió, a mudança, três anos mais tarde, para Recife e, em 1937, para
o Rio de Janeiro. A distância geográfica que separou as irmãs Lispector
da trágica Rússia dos pogroms, e mesmo da Mitteleuropa que falava yiddisch,
não impede a universalidade da obra de ambas. No Exílio não é uma obra
escrita para o "gueto" judaico. É um livro para todos os que acreditam
no direito dos indivíduos.
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No Exílio
Elisa Lispector
José Olympio Editora, 2005, 206 p., R$ 32,00 |