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Vida boa para os idosos
O Parque Municipal do Idoso, em Manaus, atende 1,2 mil pessoas com mais de 60 anos e oferece lazer, assistência médica, artesanato e educação. Um exemplo de como as prefeituras deveriam implementar a Política Nacional prevista em lei desde o ano passado.
Por Clarissa Furtado, de Manaus
O Brasil tem uma avançada legislação para a garantia dos direitos daqueles
que já passaram dos 60 anos, mas poucas administrações implementaram políticas
e práticas específicas para os idosos. A inovadora lei que trata da proteção
integral desse público foi aprovada em 1994. Ela foi elaborada de modo
a proporcionar saúde e bem-estar no processo de envelhecimento e construir
uma rede de proteção social que contemple todas as esferas da vida dos
idosos. A Política Nacional do Idoso (PNI), regulamentada no ano passado,
se propõe ainda a incentivar a autonomia e a independência das pessoas
dessa faixa etária. O objetivo maior, dentro de diretrizes adotadas internacionalmente
durante duas assembléias mundiais sobre o envelhecimento, é construir
uma sociedade mais justa para todas as idades. 
O Brasil conta com uma inovadora legislação para a terceira idade, porém ainda pouco praticada
Para que esses princípios se tornem realidade, as prefeituras têm de tomar
uma série de iniciativas, de forma a criar ações locais voltadas especificamente
para a promoção da saúde, da cidadania e da integração desse público.
Um exemplo é a instalação do Conselho Municipal do Idoso, constituído
por representantes do governo e pessoas com mais de 60 anos e que tem,
entre suas atribuições, o papel de sugerir o estabelecimento de ações
municipais de acordo com as necessidades da comunidade. Poucas cidades
brasileiras avançaram na agenda prevista nessa nova política. É possível
contar nos dedos das mãos quantas o fizeram. Manaus é a mais destacada
delas. E mais especificamente um local, chamado Parque Municipal do Idoso,
é considerado hoje um dos mais fortes exemplos de que é possível trabalhar,
no âmbito da terceira idade, valores como auto-estima, cidadania, promoção
de saúde, socialização e integração entre as gerações, com respeito às
limitações próprias da idade, mas sem cair em clichês como os que consideram
o idoso um indivíduo dependente, frágil, sem interesse próprio, abandonado.
Ataxerxes Amazonas de Oliveira, de 73 anos, é citado pelo diretor do parque,
Maxmor Nunes de Souza, como um exemplo de que a vida pode ser refeita
após uma tristeza grande e não é preciso ficar em casa esperando a próxima
peça a ser pregada pelo destino. Oliveira estava deprimido depois da morte
da esposa, com quem viveu 49 anos, mas teve uma grande melhora quando
começou a freqüentar o parque, há dois anos. A agenda semanal é corrida:
faz ioga, caminhada orientada e participa de um grupo que trabalha a memória.
Além disso, passa por acompanhamentos periódicos das condições de saúde
e, caso seja detectado algum problema iminente, é encaminhado ao serviço
local público de saúde. Mas ele gosta mesmo é de dançar. Dança várias
horas por dia ao som de boleros, sambas e outras canções tocadas na área
em frente à lanchonete do parque, para alegria das senhoras que também
freqüentam o local.
Oportunidade O parque oferece gratuitamente, apenas para
quem já passou dos 60, aulas de hidroginástica, natação, vôlei, caminhada
orientada, ioga, alongamento, caratê, tai chi chuan, teatro, artesanato,
dança coreográfica, dança de salão, dança do ventre, aulas de alfabetização,
de inglês e de espanhol. As atividades são coordenadas por 94 profissionais
qualificados, treinados para atender à população idosa. Muitos têm, lá,
a chance de fazer coisas que nunca tinham feito ao longo da vida, por
falta de tempo, de dinheiro ou de oportunidade. "Sou filha do interior
do Amazonas, fui criada na lida da juta e da castanha. Quem diria que
eu, uma cabocla, um dia ia fazer aula de espanhol e de dança do ventre.
Chego às 8 e meia da manhã e só saio às 5 horas da tarde. Se eu estivesse
em casa, estaria quebrando a cabeça com neto, com quintal... aqui é só
divertimento e curtir a vida com as amigas ", afirma Margarida Moreira
da Fonseca, de 63 anos. Para o idoso Luís Marinho Batista, o parque é
a melhor opção. "Estou aqui de segunda a sexta-feira. Não tenho outro
lugar para ir. Se o parque não existisse, ou eu ficaria em casa no calor
ou, quem sabe, na rua bebendo ", comenta.
Instalado em uma área de 11 mil metros quadrados, em um bairro de classe
média alta da capital amazonense, o complexo de atendimento aos idosos
foi inaugurado em 2002 e custou 4,3 milhões de reais, bancados pela prefeitura.
O local tem piscina, ginásio coberto, auditório, pista de caminhada, salas
de aula, dança e artesanato, lanchonete, restaurante e salão de beleza.
O custo mensal para manter o parque funcionando é de 20 mil reais, segundo
dados da Fundação Doutor Thomas, entidade com nível de secretaria municipal,
responsável pela coordenação do parque. O conjunto faz parte da política
Municipal do Idoso, aprovada em lei municipal. O objetivo do Programa
Conviver, no qual se insere a iniciativa, é promover a integração das
pessoas idosas e facilitar o convívio delas com a família e com a comunidade.
E, obviamente, promover um envelhecimento mais saudável.

