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Teia de novos negócios
A Rede Brasil de Tecnologia promove parcerias entre empresas e centros de pesquisa nas áreas de petróleo, gás natural, eletricidade e agronegócios
Por Lia Vasconcelos, de Brasília
É praticamente impossível, hoje em dia, falar em desenvolvimento sem
falar em redes. Elas estão presentes em todos os setores sociais e econômicos
da atualidade. Existem redes de infra-estrutura - saneamento, transportes,
educação, saúde -, redes sociais, de prestação de serviços, redes de comunicação,
de distribuição, de pesquisa, de troca de experiência e de informações,
enfim, um universo que, direta ou indiretamente, afeta invariavelmente
a vida de todos os seres humanos. Numa tentativa de aproveitar o potencial
positivo de mobilização e articulação das redes, o Ministério da Ciência
e Tecnologia (MCT) busca, desde 2003, atuar como entrelaçador dos setores
da sociedade que não têm o hábito de se articular naturalmente para tentar
tecer uma nova trama. Foi com o objetivo específico de juntar as forças
nacionais para substituir importações ou desenvolver novos produtos e
serviços de alto valor tecnológico que nasceu a Rede Brasil de Tecnologia
(RBT). 
Por meio da RBT, o ministério coloca em contato a indústria, os agentes
financeiros, a comunidade acadêmica e o próprio governo. A Rede identifica
demandas de importantes setores da economia - por exemplo, uma máquina
ou peça comprada no exterior -, incentiva a articulação dos parceiros
e garante financiamento para a fabricação de um similar nacional. Por
uma questão de foco, se optou por quatro segmentos específicos de atuação,
sobretudo porque o Brasil possui empresas de capital nacional e líderes
mundiais nessas áreas. São elas: petróleo, gás natural, energias alternativas
e agronegócios. Já estão cadastrados na rede, participando da iniciativa,
486 empresas e 690 laboratórios de pesquisa com 10.571 pesquisadores.
Os primeiros resultados concretos só devem vir dentro de dois anos, pois
são projetos de longo prazo, com períodos extensos de maturação, e a RBT
foi estabelecida em 2003. Mas as estimativas são animadoras. Os coordenadores
da RBT prevêem que as 59 parcerias firmadas e financiadas entre 2003 e
2004 gerem faturamento anual de 532 milhões de reais.
A articulação para cada um dos setores é feita por uma empresa estatal.
A Petrobras cuida de projetos de gás natural e energias alternativas,
a Eletrobrás da área de energia elétrica e a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa) do segmento de agronegócios. Petrobras e Eletrobrás
são líderes em seus segmentos de atuação e grandes importadoras de máquinas
e equipamentos, muitos sem correspondentes nacionais. No setor de agronegócios
o objetivo é encontrar empresas que passem a fabricar máquinas, produtos
e equipamentos desenvolvidos pela Embrapa, que encontra grande dificuldade
para colocá-los no mercado.
Seleção A Petrobras e a Eletrobrás definem quais produtos
e serviços são necessários e a RBT tem a missão de articular centros de
pesquisa capazes de desenvolver soluções e selecionar, por meio de editais,
as empresas dispostas a assumir a produção. Além disso, garante o financiamento.
Uma das peculiaridades da rede é que os editais são muito específicos,
uma vez que a Petrobras e a Eletrobrás, em conjunto com o MCT, decidem
quais máquinas e equipamentos a chamada pública deve contemplar. O objetivo
é claro: selecionar empresas que receberão financiamento para produzir
bens e serviços de interesse das cadeias produtivas de petróleo, gás natural
e de energia elétrica. Cabe à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)
administrar os editais, que estabelecem a cooperação entre as empresas
que pretendem assumir a produção e as instituições científicas e tecnológicas.
Os editais da RBT estão abertos para qualquer tipo de empresa, mas 472
empresas, ou 97% dos participantes, são de capital nacional . Entre as empresas cadastradas, 65% não têm centro de pesquisa
própria, mas 80% delas têm esquema de cooperação permanente com instituições
de pesquisa.
"Nosso foco é em pesquisa aplicada. A RBT não financia pesquisa básica
", afirma Marcelo Lopes, secretário de Política de Informática do MCT
e coordenador da RBT. Para Mário Salerno, diretor de assuntos setoriais
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Rede está alinhada
com a Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE)
do governo federal. "A RBT atua nas linhas de ações horizontais da PITCE,
que incluem, entre outros aspectos, a inovação e o desenvolvimento tecnológico,
a inserção externa, a modernização industrial e o aumento da capacidade
e escala produtiva. "

