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Edição 11
Setembro/2004

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Teia de novos negócios
A Rede Brasil de Tecnologia promove parcerias entre empresas e centros de pesquisa nas áreas de petróleo, gás natural, eletricidade e agronegócios

Por Lia Vasconcelos, de Brasília

Fotos Divulgação / Maria Carolina Reis / Getty Images

É praticamente impossível, hoje em dia, falar em desenvolvimento sem falar em redes. Elas estão presentes em todos os setores sociais e econômicos da atualidade. Existem redes de infra-estrutura - saneamento, transportes, educação, saúde -, redes sociais, de prestação de serviços, redes de comunicação, de distribuição, de pesquisa, de troca de experiência e de informações, enfim, um universo que, direta ou indiretamente, afeta invariavelmente a vida de todos os seres humanos. Numa tentativa de aproveitar o potencial positivo de mobilização e articulação das redes, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) busca, desde 2003, atuar como entrelaçador dos setores da sociedade que não têm o hábito de se articular naturalmente para tentar tecer uma nova trama. Foi com o objetivo específico de juntar as forças nacionais para substituir importações ou desenvolver novos produtos e serviços de alto valor tecnológico que nasceu a Rede Brasil de Tecnologia (RBT).

Por meio da RBT, o ministério coloca em contato a indústria, os agentes financeiros, a comunidade acadêmica e o próprio governo. A Rede identifica demandas de importantes setores da economia - por exemplo, uma máquina ou peça comprada no exterior -, incentiva a articulação dos parceiros e garante financiamento para a fabricação de um similar nacional. Por uma questão de foco, se optou por quatro segmentos específicos de atuação, sobretudo porque o Brasil possui empresas de capital nacional e líderes mundiais nessas áreas. São elas: petróleo, gás natural, energias alternativas e agronegócios. Já estão cadastrados na rede, participando da iniciativa, 486 empresas e 690 laboratórios de pesquisa com 10.571 pesquisadores.

Os primeiros resultados concretos só devem vir dentro de dois anos, pois são projetos de longo prazo, com períodos extensos de maturação, e a RBT foi estabelecida em 2003. Mas as estimativas são animadoras. Os coordenadores da RBT prevêem que as 59 parcerias firmadas e financiadas entre 2003 e 2004 gerem faturamento anual de 532 milhões de reais.

A articulação para cada um dos setores é feita por uma empresa estatal. A Petrobras cuida de projetos de gás natural e energias alternativas, a Eletrobrás da área de energia elétrica e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) do segmento de agronegócios. Petrobras e Eletrobrás são líderes em seus segmentos de atuação e grandes importadoras de máquinas e equipamentos, muitos sem correspondentes nacionais. No setor de agronegócios o objetivo é encontrar empresas que passem a fabricar máquinas, produtos e equipamentos desenvolvidos pela Embrapa, que encontra grande dificuldade para colocá-los no mercado.

Seleção A Petrobras e a Eletrobrás definem quais produtos e serviços são necessários e a RBT tem a missão de articular centros de pesquisa capazes de desenvolver soluções e selecionar, por meio de editais, as empresas dispostas a assumir a produção. Além disso, garante o financiamento. Uma das peculiaridades da rede é que os editais são muito específicos, uma vez que a Petrobras e a Eletrobrás, em conjunto com o MCT, decidem quais máquinas e equipamentos a chamada pública deve contemplar. O objetivo é claro: selecionar empresas que receberão financiamento para produzir bens e serviços de interesse das cadeias produtivas de petróleo, gás natural e de energia elétrica. Cabe à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) administrar os editais, que estabelecem a cooperação entre as empresas que pretendem assumir a produção e as instituições científicas e tecnológicas. Os editais da RBT estão abertos para qualquer tipo de empresa, mas 472 empresas, ou 97% dos participantes, são de capital nacional . Entre as empresas cadastradas, 65% não têm centro de pesquisa própria, mas 80% delas têm esquema de cooperação permanente com instituições de pesquisa.

"Nosso foco é em pesquisa aplicada. A RBT não financia pesquisa básica ", afirma Marcelo Lopes, secretário de Política de Informática do MCT e coordenador da RBT. Para Mário Salerno, diretor de assuntos setoriais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Rede está alinhada com a Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE) do governo federal. "A RBT atua nas linhas de ações horizontais da PITCE, que incluem, entre outros aspectos, a inovação e o desenvolvimento tecnológico, a inserção externa, a modernização industrial e o aumento da capacidade e escala produtiva. "

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