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Edição 1
Novembro/2004

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Globalização para todos os gostos

Por Paulo Roberto de Almeida

Em defesa da globalização está ajudando ricos e pobresO economista indiano Jagdish Bhagwati da Columbia University pergunta, no frontispício dessa obra, se o mundo precisa de mais um livro sobre a globalização.A pergunta é pertinente, pois, desde a popularização desse conceito no início dos anos 90, rios, talvez oceanos de tinta já foram vertidos em prol ou contra a globalização. O movimento antiglobalizador - que se vê como altermundialista, sem jamais ter explicado de que seria feito esse “outro mundo” - deve seu sucesso ao fenômeno que vitupera em encontros movidos mais a transpiração do que a inspiração.

O propósito de Bhagwati é outro: nem atacar, nem elogiar, mas explicar como funciona esse processo em todos os seus aspectos e ver o que fazer para aperfeiçoálo. Os maiores beneficiários são, obviamente, as multinacionais, mas os pobres dos países emergentes também vêem sua prosperidade aumentar, como o provam milhões de chineses e indianos. Os antiglobalizadores agitam temores, mas não dão provas concretas de que ela produza pobreza, concentração de renda ou destruição das culturas nacionais.

A primeira parte do livro é justamente dedicada à compreensão do movimento contrário à globalização, constatando, no entanto, que ela é benéfica não só do ponto de vista econômico, mas também social.Na segunda parte, o autor analisa as implicações sociais, examinando a distribuição da riqueza pelo comércio e trabalho (com redução da exploração de crianças), a promoção das mulheres, da cultura e da democracia.Mostra que os benefícios dos investimentos diretos são muito superiores aos problemas.

A terceira parte aborda os aspectos “incômodos” da globalização: movimentos de capitais de curto prazo e fluxos de pessoas. Bhagwati não apóia a liberalização financeira e critica o “complexo Wall Street- Tesouro” (que engloba instituições, como o FMI e o Banco Mundial). Ele comprova, com satisfação, que a ultraliberal The Economist acabou rendendo-se às suas teses.A quarta parte quer fazer a globalização funcionar melhor e aqui também Bhagwati se distancia dos antiglobalizadores, pois preconiza o gerenciamento adequado pelos organismos multilaterais que eles querem enterrar. O autor discorda, portanto, de que a globalização necessite de uma face humana: isso ela já tem, mas pode-se sempre melhorá-la. Em conclusão, Bhagwati recomenda um pouco menos de paixão e um pouco mais de razão aos críticos da globalização.
Paulo Roberto de Almeida
(pralmeida@mac.com; www.pralmeida.org).


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